segunda-feira, 19 de outubro de 2009


Houve um tempo em que pensava por escrito. Pensava de papel e caneta. Escrevinhava relações, fazia suposições, tabelas e linhas paralelas.

Houve um tempo que por escrito decidia. Por escrito punha o que faria, o que vivia.

De caneta pesava, media e concluía. Com o papel pensava e racionalizava.

Mas eram outros tempos. Tempos mais racionais em que eu era mais inteligente e até lia os livros que comprava. Tempos em que havia tempo para pensar antes de agir, tempos em que se podia repetir.

Mas agora não há tempo. Não há tempo a perder com o que não quero perder tempo. Perco tempo e muito, mas só com aquilo que quero. Não faço esquemas, nem tabelas de problemas. Deixei a caneta e o papel, deixei de comprar os livros que não vou ler.

Deixei assim de pensar tanto para começar a sentir. Deixei de racionalizar para começar a viver. Certo ou errado, não interessa absolutamente nada. Eu sei que no meio está a virtude e nem tanto ao mar nem tanto à terra, mas o povo diz tanta coisa...

Por isso às vezes as pedras são coloridas, mesmo que seja só a tinta a disfarçar...

10 comentários:

Pedro Viegas disse...

Concreta, simples e pragmática.
De forma nenhuma mais inteligente. Agora tens tudo o que tinhas antes, mas mais elaborado, mais consciente e mais conhecedora da realidade. Dos dias, os teus dias e das prioridades na tua vida. A Familia, As Filhas, tu.
Os livros, vão-se lendo, os esquemas fazendo,as tabelas também, mesmo que apenas mentais.
Racionalizas-te, agora.
E quando os teus olhos querem, a alma deixa e os coração sente, as pedras são sempre coloridas, mesmo que pintadas.

Disse disse...

E porque o tempo é aquilo que fazemos dele. E para que não vivamos aquilo que John Lennon afirmava - "Life is what happens to us when we´re busy making other plans". Há que aproveitar. Há que, em suma, viver.

maria teresa disse...

Está a tornar-se uma mulher mais completa, mais sábia, mais ligada ao que é verdadeiramente importante.
Bjs

Xica Xique disse...

Encontrei seu blog um dia ao acaso e me encantei com sua forma de escrever . Fala do cotidiano ou qualquer outro assunto de forma poetica , inteligente . Nunca mais deixar de lhe acompanhar e me entristeci quando a vi fechar o blog e me alegrei quando a vi retornar .
Dia desses lendo um comentario em seu blog tomei conhecimento do video da Maite .
Nao posso me desculpar por ela , mas posso dizer como brasileira , que ela nao eh o Brasil e nao representa o pensamento de nosso povo . Pena encontrarmos pessoas assim ... como ela .
Um abraco

Ana Sofia Serrano disse...

Olá!
Começo a chegar à conclusão que é a melhor maneira de viver. Quando é tudo racionalizado acaba por ser como não queríamos que fosse! Viver um puco no "perigo" também é bom!
Beijinhos

JS disse...

Pedro, os teus comentários são melhores que os meus posts. Obrigada!

Disse, é isso mesmo!

Maria Teresa, espero bem que seja isso!

Xica, antes de mais obrigada pelas tuas palavras e pelo teu carinho. É muito importante saber que alguém nos lê e sentir essapresença é o que nos alimenta. Quanto ao comentário da Maite foi sem duvida infeliz, mas ela é só uma pessoa de um país absolutamente fabuloso como o teu. È obvio que ninguem fala por todos, e que elanão representa um país imenso. Para mim o Brasil é Caetano, Buarque, Arnaldo Antunes e tantos outros que adoro. Para mim o Brasil é a minha musica que me nina e embala.Por isso minha querida não vai ser um comentario de uma pessoa que calar aminha musica.

pS - eu tenho passado pelo teu blogue mas tu nunca escreves?!

Ana, é isso mesmo e sabe muito bem!

PB disse...

Excelente post. E tens razão, nem 8 nem 80!
Beijinhos

argumentonio disse...

falar é uma preciosidade, mesmo dom, a verdadeira alquimia capaz de transformar!

ainda que muitas vezes tenha que ficar para depois...

e as pedrinhas, posto que o colorido não depende - mesmo - das tintas, são bem um bálsamo para o dia

carpe diem

;->>>

JS disse...

PB, obrigada!

Argumentonio, obrigada e bem vindo!

Catarina disse...

Se calhar é tal sabedoria que dizem vir com a idade. Senti uma grande empatia com o teu blog e penso estar numa fase semelhante à que descreves, viver mais e pensar menos...
Adorei.
Um abraço